Consolidação de editoras estimula ida à Bovespa

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O mercado editorial brasileiro estréia nova fase de consolidação. Depois da entrada mais forte de recursos estrangeiros na área, as atuantes nacionais do setor e as editoras já instaladas no Brasil vão às compras. Nesse contexto de disputa por maior participação, as competidoras nacionais, principalmente, terão na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) um canal necessário, se não imprescindível, para o fortalecimento frente às demais concorrentes da área.

A negociação de compra da Siciliano pela Saraiva é um exemplo da consolidação do setor. “Hoje, estamos vendo empresas brasileiras se transformando em grandes editoras genuinamente nacionais. Isso mostra que o mercado editorial do Brasil é promissor e de muita qualidade empresarial”, diz a presidente da Câmara Brasileira do Livro (CBL), Rosely Boschini. No movimento de grupos estrangeiros também não faltam exemplos de compras. Na semana passada, a Editora Objetiva, controlada pela espanhola Santillana, firmou memorando para a compra de 75% da nacional Martin Claret.

Para o presidente da Associação Brasileira de Editores de Livros (Abrelivros), João Arinos, o crescimento do mercado ocorre em todos os segmentos e abre espaço, ainda, para a operação direta de empresas estrangeiras, ou seja, sem a compra de atuantes do mercado nacional. Uma das áreas que deve concentrar grandes grupos é de livros didáticos, por vender em grandes volume, sobretudo para o Estado. “Neste segmento, vão predominar os grandes devido à necessidade de economia de escala”, diz Arinos, também diretor-geral da Abril Educação (Ática/Scipione), pertencente ao Grupo Abril.

A estimativa é que, de um total de 600 editoras nacionais, cerca de 50 sejam representativas e, portanto, possíveis compradoras ou compradas, segundo o diretor-geral da Melhoramentos, Breno Lerner. “Vai haver uma concentração. Se isso é bom ou ruim, o tempo vai dizer. Nos Estados Unidos e Europa, não foi”, diz, sem arriscar o número provável das remanescentes e o prazo para término desse processo. Para ele, o risco é a perda do potencial de inovação das menores quando adquiridas. “Elas não conseguem ter a mesma habilidade dentro de uma megaestrutura”, afirma.

Para Rosely, da CBL, o setor deverá registrar crescimento próximo a 15% ao término de três anos. De acordo com a entidade, pesquisa realizada pela Fipe em parceria com o Sindicato Nacional de Editores e Livreiros (SNEL) apontou que o faturamento total do mercado de livros foi de R$ 2,8 bilhões no ano passado. O montante representou aumento de 11,97% em relação a 2005. No período, foram vendidos 310,3 milhões de exemplares, o equivalente à variação positiva de 14,79%, na comparação com o período anterior.

Potencial do mercado didático

Apenas o segmento didático representará R$ 1,1 bilhão em 2007, segundo estimativa da Abrelivros. A disputa nesse segmento tende a se acirrar, já que as compras do governo estão sendo ampliadas, com a inclusão do ensino médio no programa de livros gratuitos, o que está previsto para ser totalmente implantado em 2008. “O novo programa representará um aumento de 40% do mercado”, afirma Arinos, da Abrelivros.

É nesse segmento que o setor está apostando o maior número de fichas. Para Arinos, a tendência é haver no futuro somente quatro representantes da área de livros didáticos, a exemplo do que ocorreu em países onde a área está consolidada. Segundo a Abrelivros, no Brasil, são 30 as competidoras desse segmento, que possui Moderna, também pertencente à Santillana, Ática/Scipione, FTD e Saraiva como as principais representantes. Nessa área, ganha força também empresas do setor de educação. A SEB, conhecida como grupo COC, por exemplo, que está com pedido para abertura de capital, possui uma editora e já conta com contratos governamentais na área didática.

A situação tecnológica dessa indústria, segundo a CBL, é compatível com mercados em que o consumo de livros é superior ao brasileiro, e suficiente, portanto, para sustentar um crescimento maior da área. “Hoje, as editoras estão abrindo o leque e atuando em segmentos diversos”, aponta Rosely. Na sua avaliação, a profissionalização do setor tem sido estimulada e contribuirá para o avanço da área.

No segmento de revistas, o período é de ajustes à nova demanda do consumo. O avanço na área da impressão gráfica, que oferece oferta maior a preços inferiores aos verificados há alguns anos, e a diversidade dos meios de comunicação são fatores que têm gerado a segmentação, diz o presidente do grupo Escala e do comitê de acionistas da Escala Educacional/Larousse, Hercílio de Lourenzi. Nessa área, aponta o representante da editora controlada pelo grupo franco-espanhol Anaya/Hachette, há ainda uma tendência de entrada de recursos externos. “Talvez o que dificulte um pouco é o baixo porcentual legal para esse tipo de investimento”, afirma, destacando a restrição de 30% de participação do capital externo em meios de comunicação, a exemplo de revistas.

Em qualquer uma das áreas, estar capitalizado será imprescindível para permanecer no mercado. Nesse contexto, a Bolsa surge como meio de obtenção de recursos. Por enquanto, porém, essa necessidade deverá ser maior nas empresas que não receberam recursos por meio de sócios estrangeiros, aponta Lerner, da Melhoramentos. Para Rosely, da CBL, a investida no mercado de capitais é, inicialmente, uma opção para grandes editoras. A Ediouro, uma das principais competidoras do mercado editorial, planeja estar na Bolsa já em 2008 e deverá puxar a lista de outras empresas do setor a estrear no mercado de capitais, que, por enquanto, tem a Saraiva como única representante.

Fonte: A Tarde

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