“A TV sempre foi minha praia”

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As facetas de Beatriz Castro, uma mulher que divide o tempo entre o trabalho e a família.

“Ando sempre correndo”, com essa frase a jornalista da Rede Globo Nordeste, Beatriz Castro define seu o dia-a-dia. Com mais de 20 anos de profissão, ela acredita já estar acostumada com a vida corrida e o tempo contado. A jornalista também é mãe, e confessa incomodar-se com o fato de não ter tempo suficiente para se dedicar a sua filha, Carla.

 Formada na Universidade de Brasília (UnB), começou cedo na profissão. Seu primeiro estágio foi como revisora no Diário Oficial da União, algum tempo depois foi para a Rádio Nacional da Amazônia. “Eu não perdia tempo”, comenta.

Aos 21 anos já trabalhava na filial da Globo, em Brasília. E apesar da pouca idade já tinha certeza de sua vocação, “Fiz rádio e jornal local antes de entrar para a TV. Mas, não tinha dúvida de que a televisão era a minha praia”. Natural de Uberlândia, Minas Gerais ela adotou o Recife como seu lar.

Hoje, Beatriz Castro considera-se uma mulher realizada por ter constituído uma família ao lado do seu marido, o também repórter Francisco José além de ser uma profissional bem-sucedida. Em relação ao Brasil e a repercussão de suas matérias, ela afirma ser dever da imprensa ajudar a melhorar o quadro social. “A situação vai melhorando, só depende de nós. Eu como repórter, faço a minha parte através das denúncias”, argumenta a jornalista.

 R- Por que você escolheu fazer Jornalismo?

Beatriz Castro: Eu gostava de ler e era muito comunicativa. Então, percebi minha vocação para a profissão de jornalista. Também me atraía a idéia de ter um trabalho diferente, sem uma rotina, sem ficar trancada numa sala. Foi um pouco de intuição.

Como é trabalhar para na Rede Globo?

Na minha opinião, trabalhar na Globo é muito bom. Nela temos qualidade, equipamento, audiência e bons profissionais. E na televisão é muito importante a equipe. Imagine o que seria de mim sem um bom cinegrafista, um bom equipamento, um carro legal para viajar. Também tem o lado da segurança e dos melhores salários. Não que sejam tão bons assim, mas o mercado local para o jornalista é uma verdadeira lástima.

Para você, quais foram suas reportagens mais marcantes? E por quê?

Sem dúvida, as reportagens sobre o trabalho infantil e as que mostraram o sofrimento dos sertanejos com a seca. Elas foram especiais porque despertaram reações e ajudaram a mudar a situação de exploração e miséria. Muitas crianças e pessoas necessitadas conseguiram alguma forma de ajuda após a exibição das matérias.

Quais prêmios você já recebeu?

Eu já recebi vários prêmios locais e nacionais. O mais importante foi o Ayrton Senna de Jornalismo, em 2000, sobre o trabalho infantil. Ganhei o Cristina Tavares, o mais importante da região, durante três anos seguidos. O Sindicato da Indústria da Construção Civil também me deu uma estatueta. Também fui finalista no Prêmio Ibero-Americano de Comunicação pelos Direitos da Infância e Adolescência promovido pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

Qual sua opinião sobre a exploração infantil e os programas que a combatem?

 Na minha opinião existe uma aceitação de toda a sociedade, é um problema cultural. Para resolver ele, nós precisamos preparar os pais destas crianças para trabalhar e dar condições para eles se sustentarem. Tenho conhecimento da existência de programas de erradicação de trabalho infantil, mas ainda é possível encontrar criança trabalhando. Acho que os programas sociais estão estagnados, precisamos fazer muito mais. Cada criança que está fora desses programas é uma vida perdida. Projetos como a Bolsa Escola estão minimizando o problema, mas continua sendo um paliativo. E quanto à bolsa do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil, ela é irrisória.

É graças a esse seu interesse pelas crianças que você faz parte da Fundação Abrinq pelos Direitos da Criança e do Adolescente?

Sim, eu sou Jornalista Amiga da Criança. Sou do primeiro grupo e tenho a maior honra desse título. A nossa obrigação é chamar atenção para os problemas sociais em relação à criança. Para conseguir essa nomeação fui analisada através da minha atividade e eles perceberam meu interesse e a minha ligação com o tema.

O que você acha que é fundamental para ser um bom jornalista? E qual seria o dever deste?

Para ser um bom jornalista é preciso ler muito, dominar o português, ter inspiração e ética no desempenho do trabalho. O nosso dever é informar. E de preferência, revelar todos os lados da história que não aparecem à primeira vista.

Quais foram às influências que você sofreu na sua vida pessoal e profissional?

Na vida pessoal, minha mãe sempre me deu a maior força para correr atrás dos meus sonhos. Outra pessoa importante foi meu marido, Francisco José, com ele aprendi a ser humilde, a tratar os outros com respeito e a ter o pé no chão. Não achar que somos diferentes de ninguém. No profissional, encontrei muita gente competente e disposta a mim ensinar. Aprendi com editores, chefes de reportagem e colegas. São tantas as pessoas que ficaria difícil mencionar agora.

 Como sua família lida com sua profissão?

 Eles já aprenderam a compreender que a minha profissão me faz feliz. E que ela é muito importante para mim.

Que conselho você daria ao jovem que pretende ser jornalista?

Primeiro, eu acho importante para o adolescente não ter nenhuma dúvida sobre a escolha da profissão e se dedicar a ela plenamente. E gostaria de lembrar também que não há jornalista de meio expediente. Outro ponto o qual gostaria chamar atenção é que para valer a pena tem de ser com emoção, vontade, daí o bom profissional poderá superar todos os maus momentos do trabalho.

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